DIRETORA TÉCNICA MÉDICA:
DRA.MARIUTZKA ZADINELLO
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Comportamento alimentar durante o isolamento social


 

Maria do Carmo de Lima Martins

Nutricionista – CRN 10 0803

Desde o início da pandemia pelo Covid-19 as pessoas estão se adaptando a novas rotinas e isto está impactando em diversos aspectos de suas vidas, baseado, principalmente, no nível de stress que cada uma está vivendo. A ansiedade gerada por toda esta situação impacta diretamente no ritmo de vida, de sono e também na qualidade, quantidade e horários das refeições. Com certeza todos nós notamos uma diferença nos padrões alimentares nesses últimos dois meses, não é verdade? 

As escolhas dos alimentos são influenciadas pelo humor e pelas emoções e por isso se consegue diferenciar a FOME FÍSICA da FOME EMOCIONAL.

O que é a FOME FÍSICA? É a fome biológica, provocada pela ausência de alimentos. É identificada por sinais de ruídos no estômago, falta de energia, irritabilidade, entre outros, e que passa logo após a ingestão de alimentos.

Já a FOME EMOCIONAL  é uma necessidade emocional do individuo. É aquela vontade de comer que está relacionada com alguma situação ou problema, em que a ingestão de alimentos acaba por diminuir o desconforto emocional.

Durante este período de isolamento social, é comum sentirmos FOME EMOCIONAL e está tudo bem saciarmos, às vezes, esta fome. Porém, é importante identificá-la para que este tipo de fome não seja frequente e acabe se transformando em algum distúrbio, a ponto de prejudicar a saúde.

Dicas para melhorar a relação com a comida durante o isolamento social:

1. Repensar a alimentação: tente manter, na maior parte do tempo, uma alimentação saudável, balanceada, com proteínas, carboidratos e gorduras apropriadas. Inclua, diariamente, alimentos que possam deixar o seu sistema imunológico em boas condições, como os alimentos in natura: as hortaliças (brócolis, cenoura, abobrinha, abóbora, espinafre...) e as frutas (mamão, laranja, goiaba, maçã...) e os alimentos minimamente processados (arroz, feijão, lentilha, ovos, peixes, aipim, batatas...). Estes alimentos contribuem para a manutenção da saúde e do sistema imunológico e também auxiliam na prevenção de várias doenças como a hipertensão, diabetes e obesidade. 

Já os alimentos ultraprocessados (salgadinhos, embutidos, bolachas recheadas, refrigerantes, sucos de caixa ou de pacotes...) não são opções para a saúde, porque estes alimentos não ajudam na defesa do organismo para enfrentar o coronavírus ou qualquer outra virose. Uma dieta baseada em alimentos ultraprocessados, rica em açúcar, gordura, sal, aditivos químicos, conservantes e corantes aumenta o risco de deficiência nutricional. 

O hábito de tomar água continua a fazer parte de uma alimentação saudável para todo o organismo. Não esqueça!

2. Planejar é fundamental: organize o cardápio para as refeições do dia. Deve ser feita de forma prática, ainda mais que as idas ao supermercado tendem a ser menos frequentes agora. A busca por receitas e a lista de compras facilita a aquisição dos alimentos. As frutas não devem faltar nessa lista, pois podem gerar ótimas sobremesas! 

3. Variar o cardápio, testar receitas novas: agora é um ótimo momento para buscar receitas fáceis ou se aventurar nas mais rebuscadas. Uma simples troca na maneira de preparar um alimento pode gerar aquele toque especial, por exemplo, batata doce pode ter um corte “chips” ao invés de ser inteira. Mude, invente! Aproveite o momento de cozinhar para se conectar com o alimento que está sendo preparado, reflita no trajeto que ele fez desde que foi semeado até chegar ao seu prato. Quantas pessoas colaboraram para que este alimento pudesse te alimentar. Seja Grato!

4. Experimentar se reunir com familiares nos momentos das refeições: agora ficou mais fácil fazer as refeições em família e quem mora sozinho,  que tal uma chamada de vídeo na hora da preparação dos alimentos e na hora de saboreá-los?! Desfrute do prazer da comida e da alegria do comer!

5. Arrumar a mesa: sente à mesacoloque uma toalha ou um jogo americano, isso faz com que toda refeição fique mais especial. Os talheres bem arrumados e flores para alegrar também ajudam a criar um ambiente agradável para se alimentar com qualidade. Ainda mais acompanhado de um prato que foi preparado com boas energias.

6.  Apreciar sua refeição e se possível deixar de lado os aparelhos eletrônicos: coma com calma, sentindo o sabor dos alimentos. Faça deste horário um momento de presença, confortável e prazeroso. Escolha o alimento com atenção, sente-se e antes de comer observe a aparência do alimento que você escolheu, reflita sobre o motivo que levou a escolher esse alimento nesse momento. Coma devagar, mastigando bem e saboreando este alimento com atenção e prazer. Livre-se do sentimento de culpa e faça as pazes com a comida.

7. Variar as atividades diárias: reserve um tempo pra ler, se exercitar, plantar, meditar, ou mesmo para não fazer nada, o tal do ócio criativo. Atividades físicas feitas regularmente, como dançar, se alongar, saltitar, pular corda, subir escadas, varrer, tudo isso já ajuda o corpo a se conectar, liberar endorfinas e trazer o bem estar.

8. Manter uma rotina: acorde mais ou menos no mesmo horário e programe as diversas atividades do dia, não se esquecendo de organizar tempo para pelo menos 5 refeições (café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar). Evite preocupações com o seu peso neste período, ele pode oscilar, pois a sua rotina está diferente. 

9. Manter um padrão de sono também é fundamental, pois se sabe que uma boa noite de sono gera mais energia para o dia seguinte, bem como a manutenção do equilíbrio do metabolismo corpóreo. Durma e acorde sempre nos mesmos horários, evitando ficar longas horas na madrugada conectado a televisão, celulares e computadores, pois os hormônios atuarão com eficiência enquanto dormimos trazendo o equilíbrio do organismo. 

10. Aproveitar este momento para conhecer melhor o seu corpo: desperte um olhar mais amoroso para o seu corpo, ele é essencial para a realização de todas as atividades do dia independente do seu tamanho e formaObserve quais alimentos geram uma melhor ou pior digestão; uma melhor disposição para o dia e um melhor sono à noite. Quais alimentos dão maior saciedade ou servem como “recompensa” para aqueles problemas e preocupações. Que tipo de sentimento se tem com a ingestão de determinado alimento. Enfim, aproveite este momento de maior reclusão e tente entender as suas necessidades físicas e emocionais. Evite julgamentos e críticas. Todos os sentimentos são permitidos. Convide-se a acolhê-los com amorosidade. 

11. Evitar a restrição alimentar: além de prejudicar sua imunidade pode gerar episódios de comer excessivo e gerar momentos de stress e de ansiedade. Espere tudo isso passar, mas não jogue fora meses de cuidado com sua saúde! Na hora da “compulsão”, pare um pouco e mude a atividade. Quem sabe se dai a alguns minutos aquela vontade de comer toda a barra de chocolate não passou? E apenas alguns quadradinhos já sejam suficiente?! Observe os sinais naturais da fome e saciedade, pois eles irão orientar a hora de comer.

12. Buscar profissionais capacitados: se os sintomas de desânimo, ansiedade, stress ou compulsão por comida estiverem atrapalhando sua vida e você quiser uma avaliação e orientação nutricionais, não hesite em buscar profissionais da área de Nutrição. 

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E saiba que durante a pandemia os Nutricionistas estão autorizados a fazer atendimento nutricional online.